release do "almas"

Cia Teatro da Cidade inicia nova montagem teatral com processo aberto ao público
Em parceria com o Sesc, grupo realiza atividades com profissionais envolvidos na produção, cujo tema será Tchékhov. Processo será registrado em forma de documentário.
A Cia Teatro da Cidade, em parceria com o Sesc São José dos Campos, realiza de maio a agosto, palestras e oficinas com atores do grupo e profissionais envolvidos em sua nova produção, cujo tema será sobre a vida e obra do dramaturgo russo Anton Tchekhov (1860-1904). As atividades, que são gratuitas e abertas ao público e pessoas interessadas, dão o pontapé inicial para a próxima montagem da companhia, que completa 22 anos de existência esse ano, e integram o projeto Almas Abaixo de Zero, aprovado pelo Programa de Ação Cultural (Proac), da Secretaria de Estado da Cultura.
O projeto “Almas Abaixo de Zero” tem o objetivo de criar um espetáculo inédito a partir de um mergulho no universo de Tchekhov e sob esse olhar falar dos problemas humanos e da atual realidade social.
Todo o processo de montagem e as pesquisas sobre Anton Tchekhov vêm sendo registradas pela Coágulo Filmes, para um filme documentário, que será produzido após a pré-estreia da peça, prevista para o próximo dia 25 de agosto. A empresa, também parceira da Cia Teatro da Cidade nesse projeto, criou o blog http://doc-tchecov.blogspot.com.br/ para que pessoas interessadas possam acompanhar de perto o processo de trabalho do grupo.
Nos próximos dias 22 e 23 de maio, às 19h, ocorrem, respectivamente, as palestras “A obra de Anton Tchekhov e o teatro contemporâneo”, com a professora russa Elena Vássina, responsável pela orientação teórica do projeto, e “A cenografia para as encenações de Anton Tchekhov”, com o professor da Universidade de São Paulo (USP) Fausto Viana, que desenvolverá os figurinos e cenário da nova montagem.
Já nos dias 26 e 27 de maio, das 14h às 18h, o músico e compositor Beto Quadros, que assina a direção musical do espetáculo, desenvolve a “Oficina de paisagens sonoras”, que aborda a relação entre ambientação e enredo e como os sons auxiliam na criação de climas às necessidades de cada cena.
A palestra “O Universo de Tchekhov e a dramaturgia”, com Samir Yazbek, que desenvolve o texto dessa nova montagem, ocorre no dia 12 de junho, às 19h. Primeiro brasileiro convidado a escrever para o National Theatre de Londres, Yazbek também escreveu, entre outras peças, “O Fingidor” e “As Folhas de Cedro”, que conquistaram os prêmios Shell 1999 e APCA 2010, respectivamente, de melhor dramaturgia.
Em agosto, nos dias 11 e 12, das 14h às 18h, os atores Adriana Barja, Ana Cristina Freitas, Andréia Barros, Izildinha Costa, Vander Palma e Wallace Puosso, que integram a companhia e  participam dessa produção, realizam a “Oficina de criação atoral”, que aponta dinâmicas para a criação de cenas por meio de processo colaborativo, método utilizado pelo grupo há mais de dez anos para suas encenações.
A nova montagem terá direção de Claudio Mendel, que realizou oficina de direção, primeira atividade que integra o projeto “Almas Abaixo de Zero”, nos últimos dias 5 e 6 de maio, e que coordenará a “Oficina de criação atoral”.
Projeto - O processo de pesquisa sobre o universo tchekhoviano começou no final do ano passado, com leituras das peças escritas pelo dramaturgo, das mais de 4.000 cartas que ele correspondeu com amigos, escritores e parentes, e de seus contos mais significativos, além de filmes baseados em suas obras e documentários sobre o dramaturgo e a época em que viveu.
Considerado o Shakespeare da literatura moderna, Tchekhov ficou consagrado como o mais ousado transgressor da tradição literária clássica e grande renovador da arte dramática, criando um novo paradigma estético do drama contemporâneo.
Atualmente, além de encontros com os profissionais envolvidos no processo de criação do espetáculo, os atores da companhia se reúnem para montagens de cenas baseadas nas pesquisas sobre o escritor e em acontecimentos recentes ocorridos na cidade, além de desenvolver, junto com Beto Quadros, possíveis sonoridades da peça.
Serviço:
“Almas Abaixo de Zero”
Abertura de processo de pesquisa e montagem de novo espetáculo da Cia Teatro da Cidade sobre vida e obra de Anton Tchekhov.
 Todas as atividades serão realizadas no Sesc – av. Adhemar de Barros, 999
Maio
Palestras
22 – “A Obra de Anton Tchekhov e o teatro contemporâneo”, com Elena Vássina
23 -  “A cenografia para as encenações de Anton Tchekhov”, com Fausto Viana
Horário das palestras: 19h
Oficina
Paisagens sonoras, com Beto Quadros
Dias 26 e 27 (sábado e domingo)
Horário: das 14h às 18h
20 vagas
Junho
Palestra
12 – “O Universo de Tchekhov e a dramaturgia”, com Samir Yazbek
Horário: 19h
Agosto
Oficina
Criação Atoral, com Claudio Mendel e atores da Cia Teatro da Cidade
Dias 11 e 12 (sábado e domingo)
Horário: das 14h às 18h
Telefone para informações: (12) 3941-7631
Informações para imprensa:
Andréia Barros (12) 3921-5367 ou 7814-9934

nova produção: "almas abaixo de zero"

Eis aqui o flyer do novo espetáculo da "Cia Teatro da Cidade" neste 2012:


A produção do espetáculo será acompanhada pela Coágulo Filmes e o resultado será um documentário de longa metragem sobre os bastidores e a preparação desta Companhia Teatral em seus desafios frente ao Tchecov.

O diário desta nossa nova produção pode ser acompanhado pelo blog: " http://doc-tchecov.blogspot.com/ "

Acompanhem-nos!

Abraços,
Fábio Monteiro

la mirada cubana #02: fresa, chocolate y los gustos cotidianos


O meu exemplar de “Cinema Cubano – Revolução e Política Cultural” (Mariana Villaça/ 2010), acabou de chegar. Enquanto ainda encontro meios de começá-lo com a voracidade de um aprendiz em Cinema, registro aqui umas palavras sobre um clássico do Cinema Cubano: “Fresa y Chocolate”, uma produção da dupla Alea-Tabio de 1994.

O filme é uma produção internacional realizada com apoio de Institutos Cinematográficos de México, Espanha e o ICAIC - Instituto de Arte e Indústria Cinematográficos de Cuba. Além disso, vale destacar que a produção executiva também é assinada pela Miramax e Robert Redford, ator que criou o Festival de Sundance, que desde 1978 tem contribuído para dar visibilidade à produções independentes de diferentes regiões do mundo.

Destaco inicialmente estes aspectos porque o ICAIC foi a primeira medida de Política Cultural adotada pela Revolução Cubana sendo criado já em 1961, tendo como objetivos claros o comando da máquina cinematográfica a fim de se produzir, digamos, uma ‘consciência social revolucionária e positiva’. Porém, apesar disso, o filme consegue imprimir em seu roteiro um olhar cosmopolita, ou seja, ele traz em sua narrativa um olhar crítico, esclarecedor acerca daquela realidade cubana vivida pelas personagens, especialmente por Diego, homossexual representado impecavelmente por Jorge Perrugoria.

Uma sinopse que pode ser feita é a seguinte: Davi vacila sexualmente com sua namorada. Então, sabemos que ela se casa com outro homem, enquanto Davi, solitário, passa a ser assediado por Diego, um homossexual cosmopolita que tem em sua casa um significativo acervo literário, artístico (e até mesmo etílico!) que demonstra sua postura subversiva frente ao Regime Castrista. A partir deste momento, acompanhamos a amizade de ambos.

Particularmente, admiro o desenvolvimento da ambigüidade da questão de gêneros em sua narrativa. Primeiro, temos que levar em consideração que o filme transita entre a comédia e o drama. E aqui seria importante relevar as contribuições teóricas do próprio Tomás Alea em seu “Dialética do Espectador”, (Summus Editorial, BRA/ 1984), quando traduz Brecht em seu trabalho apontando que “para provocar o espectador é preciso, como condição primeira, que no espetáculo se questione a realidade, se exprimam e se transmitam inquietações, se façam interrogações. Isto é, é preciso um ‘espetáculo aberto’”. Assim, o que vemos ao longo do filme é um esclarecimento sobre os dramas reais de personagens cubanas factíveis que nos convidam para participar de suas expectativas, sonhos e esperanças, afinal Davi ainda sonha com a mulher amada, porém casada; daí que se deixar envolver com uma louca que tenta se suicidar a todo momento por qualquer bobagem. E Diego, quando não sonha com um “american-way-of-life” saboreando seu Red Label, desiste e quer fugir do país - um sonho recorrente já registrado em outro excelente documentário “Balseros” (Bosch, 2002). Um outro nível envolvendo os gêneros desta vez nos remete à sexualidade e a questão do corpo como a própria expressão das contradições políticas vividas pelas personagens, ou seja, o desejo é um elemento diegético que percorre todo o filme e nos propõe insinuações acerca dos rumos daquelas vidas. Afinal, Diego se vale com integridade de sua condição homossexual para expor as mazelas do Regime Socialista. Por sua vez, é interessante ver que, à medida que Davi se afasta da Juventude Revolucionária, ele, também, aos poucos, ganha potência sexual.

O filme ainda suscita considerações acerca de questões estéticas e até mesmo uma leitura a respeito do embargo econômico imposto à ilha pelos EUA desde 1961. Mas estas questões deixo para os próximos filmes “Lista de Espera”, de J.C. Tabio e “Balseros”, já citado acima.

Realizado em 1994, imagino que esta co-produção entre México, Espanha e Cuba foi uma saída para a sobrevivência do ICAIC naqueles tempos de crise dos regimes baseados nos valores do socialismo real. Mas, além disso, considero o importante registrar a coerência narrativa do roteiro e a força dramática dos atores em uma obra íntegra produzida numa conjuntura intensa da História da América Latina.

Abraços!
Fábio Monteiro

do festival de cinema de ubatuba

Fui conhecer Puruba nesta virada de ano. A praia faz parte da cidade de Ubatuba, e dista cerca de 35 Km do Centro da Cidade. Foram sete dias impecáveis à beira do mar no Camping da Dona Bahia, onde temos uma boa infra-estrutura e comida de primeira para acampar.

Ao retornar de viagem, o trânsito era incontornável. E foi naquele pouco a pouco ao longo da Orla da Massaguaçu que notei um grande outdoor anunciando um Festival de Cinema. Pois é, incrível!, até Ubatuba agora tem Festival de Cinema!




O Festival é patrocinado via Lei Rouanet pelas Ceras Johnson, ou seja, a fabricante do repelente "OFF!" Muito bem, o importante é que o Festival está no ar. Agora, creio que aqui cabem uma ou duas questões:

01. Ao acessar a página do Festival, vemos que a proposta, por enquanto, se trata, na verdade, de marcar território; afinal, ambas produções exibidas, "Fábio Fabuloso" e "Chega de Saudade" datam de 2004 e 2007, respectivamente, são filmes que tiveram bom alcance de público e boa repercussão de crítica, mas não trazem nenhuma novidade ao público. Isto é, a ideia é definir uma data da cidade de Ubatuba no calendário do audiovisual brasileiro, e somente isto;

02. Além disso, me pergunto se a questão conceitual da diferença entre "festival" e "mostra" pode ser colocada, afinal é sabido que festivais tem, entre outras funções, trzer à tona novas produções e premiá-las;

03. Outra coisa que me chamou a atenção é a página oficial do evento, que traz somente estes dois filmes como produtos tecnicamente audiovisuais. Ademais, o texto de apresentação nos orienta rumo aos marketings em jogo, seja do turismo da cidade, das empresas envolvidadas ou dos patrocinadores.

De qualquer forma, registro aqui que este balanço é um mero balizador de iniciativas. Apesar de ainda ser um grande evento de marketing, a iniciativa da viabilidade do Festival de Cinema de Ubatuba deveria servir de referência para outras cidades do Vale do Paraíba, tão simplesmente porque demonstra que - partidarismos à parte - o Poder Público pode trabalhar consoante com iniciativas privadas que provam ser o Audiovisual uma componente fundamental da Economia.

Fábio Monteiro